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CRIOLO - "O Brasil é riquíssimo, mas as pessoas ainda sofrem muito!" (article français/portugais)

O cantor Criolo, revelação 2012, se confia abertamente à Micmag, o novo parceiro do Petitjournal.com, sobre a política, a efervescência do Brasil e seu desenvolvimento galopante. Voz frágil, sensibilidade à flor da pele, Criolo é muito mais do que um poeta urbano

Micmag - Que imagem você tem de Paris ?
Criolo - A imagem que tenho de Paris é de que as pessoas são politizadas e é um berço de cultura mundial. O mundo gosta de Paris, de dialogar com Paris e Paris dialoga com o mundo. Para saber mais de Paris tem que viver em Paris, conhecer as verdades, a realidade do dia-a-dia, só ficando mais tempo para poder falar, esse meu olhar é de quem vê de longe?

Você diria que as letras das suas músicas tem uma mensagem política ?
A partir do momento que há uma tentativa de diálogo, isso já é um ato político. Creio que existe também essa tentativa na minha música.

Mas tem uma mensagem positiva ou negativa ?
A idéia é sempre de mostrar o quanto o ser humano tem força, o quanto o ser humano é dotado de uma energia que pode proliferar coisas positivas em todo mundo, não importa o lugar onde você esteja. Tem um pouco disso também na minha canção, é a valorização do humano, valorização do nosso quintal, a valorização da vida.

Em alguns dos seus clipes o final não é feliz. Criolo, você seria pessimista ou realista em relação à vida brasileira ?
Acho que sou realista porque se fosse pessimista não falaria tanto de amor, tudo estaria perdido em meu coração... A única certeza da vida é a morte.

O que se fala aqui na Europa é que o Brasil passa por um desenvolvimento galopante. Isso é uma coisa boa ou não ?

Se desenvolver algo bom, sim, sempre será uma coisa boa. Existem muitas coisas acontecendo, mas estamos falando de um país continente. As bordas estão fervendo, borbulhando, com novas idéias e tentativas de melhorias no cotidiano do cidadão e isso é um sinal de que as coisas estão acontecendo, mas a passos lentos em determinados aspectos.

O Brasil é a sexta potência mundial mas também tem problemas sociais importantes. Onde se pode situar o Brasil, é um país rico, um país pobre ?
Eu acho que o Brasil está vivendo um momento especial, mas essas contas, esses números, ranckings, são equações que eu não consigo entender. Como pode ter tanto sofrimento no berço da democracia, como na Grécia por exemplo, tantos jovens lutando por melhorias de um povo e sofrendo tanto. No Brasil, um país riquíssimo em recursos naturais, em cultura, as pessoas ainda sofrem muito. Eu me sinto impotente mediante essa realidade e totalmente mediano pra poder falar dessas questões, porque não estão em minhas mãos e essas linhas de pensamento estão completamente longe da população.

Como você lida com esse sucesso repentino ? Seu cotidiano mudou muito ?

Eu continuo vivendo do mesmo jeito, indo na minha roda de samba, a minha felicidade é ficar na laje da minha casa no Grajaú, com meus pais e o meu sobrinho de 4 anos, o Vitor. E a felicidade de poder conviver com o dj Dan Dan que está comigo há 15 anos, praticamente o que mudou foi minha agenda de trabalho. Estou muito feliz com o reconhecimento, mas sei que tudo na vida são momentos, eu canto há 23 anos, convivo com a minha construção de textos e fico tentando conversar comigo mesmo de uma forma voraz e inspiradora, tentando me entender e entender esse processo todo que é a vida. Não mudou nada, a felicidade pra mim é ficar escutando música, estar com os amigos de sempre.

Qual a canção que marcou sua infância ?
Meu pai, sempre que possível comprava discos de vinil, me marcou muito um cantor, não me lembro o nome da canção, mas era o Moreira da Silva, um cantor espetacular que inventou o samba de breque.

Qual foi a sua primeira viagem ?
Acho que quando tinha 4 anos de idade fui pro Ceará, nordeste do Brasil, terra dos meus pais.

Sua primeira desilusão ?
Perceber o quanto sou medíocre.

Seu primeiro livro ?
Vou tentar lembrar, porque faz tempo? acho que uma das primeiras coisas que ganhei para ler foi literatura de cordel, porque meus pais são cearenses.

Você gosta bastante de poesia, verdade ?
Eu gosto de poesia e passei a vida escutando as poesias da minha mãe, que é escritora.

Você diria que é mais rapeiro do que funkeiro? Qual é sua direção musical: rap, funk, afrobeat ?
Eu diria que a minha expressão musical mais forte é a loucura entre o ritmo de processar a angústia, amor, com a percepção de que o coracão ainda bate, mesmo com tanta dificuldade. Para cada olhar e para cada canto ela se manifesta de uma forma. Seja como carimbó, como samba, rap que é o meu berço, o que é uma honra. Me ensinou como me portar no palco, me ensinou  como respeitar outros artistas, independente de suas escolhas estéticas. Então não consegui ainda me recortar para definir.

E a primeira vez que viaja pra França e Italia, o ?velho mundo? ainda te atrai ?
Sim, acho interessantíssimo ter essa oportunidade de visitar a Europa, descobrir outros povos, outras culturas. Às vezes paro para pensar e acho que isso não está acontecendo comigo.

Entrevista Hélios MOLINA © micmag.net (www.lepetitjournal.com - Brésil) terça-feira 2 de outubro 2012


 



CRIOLO - "Le Brésil est richissime, mais le peuple souffre encore beaucoup trop !" (article français/portugais)
Lors d'un séjour parisien, le chanteur Criolo, révélation de l'année 2012, s'est confié ouvertement à Micmag, notre nouveau partenaire, sur la politique, l'effervescence du Brésil, sa croissance folle. Voix fragile, sensibilité à fleur de peau, Criolo est bien plus qu'un poète urbain


Micmag - Quelle image as-tu de Paris ?
Criolo - Il faudrait vivre dans le pays pour en savoir plus. Je sais que les personnes sont politisées, que c'est un berceau de la culture mondiale. Le monde aime Paris,  dialoguer avec Paris. Et Paris dialogue avec le monde.

Tes textes ont-ils un message politique ?
Dès l'instant qu'il y a une tentative de dialogue, c'est déjà un acte politique. Je crois qu'il y a cette tentative dans ma musique.

Mais le message est-il négatif ou positif ?
L'idée de montrer combien l'être humain a de la force, qu'il est doté d'une énergie grâce à laquelle il peut sortir des choses positives de tous ordres? Il y a de cela dans ma chanson, une valorisation de l'humain. De la vie.

Dans quelques-uns de tes clips, la fin est plutôt sombre. Serais-tu pessimiste ou réaliste en relation avec la violence au Brésil ?
Je crois être réaliste. Parce que si j'étais pessimiste, je ne parlerais pas autant d'amour. Je serais en perdition dans mon c?ur. L'unique certitude de la vie, c'est la mort !

En Europe les économistes disent que le Brésil est dans une phase de croissance sans précédent. Est-ce une bonne chose ?

Si c'est du développement pour quelque chose de bien c'est toujours bon à prendre. Mais nous sommes en train de parler d'un pays continent et les pourtours sont en ébullition avec de nouvelles idées et des tentatives d'améliorer le quotidien du citadin. C'est un signal que certaines choses vont vers l'avant mais à pas lent.

Le Brésil est la sixième puissance mondiale, mais vit en même temps avec des problèmes sociaux importants. Où situer ce pays ? C'est un pays riche ? Pauvre ?
Je crois que le pays est en train de vivre un moment particulier. Mais ces comptes-là, ces chiffres, ce ranking, ces équations, je ne parviens pas à les comprendre. Comment peut-il y avoir tant de souffrance dans le berceau de la démocratie, en Grèce par exemple. Tant de jeunes luttant pour des jours meilleurs et un peuple qui souffre tant. Le Brésil est un pays très riche en ressources naturelles, et sur le plan culturel. Mais les gens souffrent encore beaucoup. Je me sens impuissant devant cette réalité et totalement inapte pour parler de ces questions parce que je n'ai pas ces données entre les mains et que cette manière de penser est trop éloignée de la population.

Comment vis-tu ce succès si rapide ? Ton quotidien a-t-il beaucoup changé ?
Je continue à vivre de la même façon, je vais à ma roda de samba ; ce que j'aime, c'est rester dans ma maison de Grajau (banlieue de São Paulo) avec mes parents, mon neveu de 4 ans. J'ai la joie de pouvoir partager des moments avec dj Dan Dan qui travaille avec moi depuis 15 ans. Ce qui a changé c'est mon agenda de travail. Je suis très heureux de cette reconnaissance, mais je sais que tout dans la vie  est passager. Cela n'a rien changé, la joie pour moi est d'être avec les amis de toujours.

Quelle chanson a le plus marqué ton enfance ?
Dès qu'il le pouvait, mon père achetait des vinyle. Il y a un chanteur qui m'a beaucoup marqué, mais je ne me rappelle pas du nom de la chanson : c'était Moreira da Silva, un chanteur incroyable qui inventa la samba de breque.

Quel a été ton premier voyage ?
Je pense que j'avais 4 ans. Je suis allé dans le Ceara, dans le Nord Est du Brésil, qui est la terre de mes parents.

Ta première désillusion ?
Me rendre compte combien je suis médiocre.

Tu aimes beaucoup la poésie ?
J'aime la poésie et ai passé ma vie entière a écouter les poésies de ma mère, qui est écrivain.

Dirais-tu que ta musique est plus rap que funk ? Vers quoi tends-tu le plus ? Funk, afro beat, rap ?
Pour chaque regard et pour chaque domaine, elle se manifeste différemment. Cela va de la samba, au carimbo, au rap qui est mon terreau, ma fierté.

Propos recueillis par Hélios MOLINA © micmag.net (www.lepetitjournal.com - Brésil) mardi 2 octobre 2012

Criolo s'est vu décerner divers prix au prix en 2012 l'équivalent chez nous des « Victoires de la musique. »  (Prix du meilleur disque, prix du meilleur chanteur et prix révélation)

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